terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hoje acordei querendo derrubar os muros que me impedem de ser o gigante que sou.
Esse texto maravilhoso, de Carmen Vasconcelos, resume esse sentimento que tive hoje pela manhã. Os textos de Carmen são postados no substantivo. Leiam Carmen!

Por Carmen Vasconcelos
Oscar Wilde e Chico Buarque perceberam o muro. Para Oscar Wilde, o muro fora erguido pelo “Gigante Egoísta”, para que as crianças não fossem brincar no seu jardim. Só que, sem crianças, o jardim do gigante também não era mais visitado pela primavera e, entrava ano, saía ano, a única estação que por ali pousava era o inverno: neve, geada e granizo. Um dia, o gigante percebeu a natureza do muro, derrubou-o e chamou as crianças de volta. A partir daí, seu jardim se encheu de flores.
O muro que Chico Buarque cantou era um e eram dois: um cercava o bosque junto à rua, onde a felicidade morava, mas o dono do bosque não via. O outro muro separava o eu lírico da música “Até Pensei” e a sua amada. Ambos os muros proibiam a aventura.
O Conto “O Gigante Egoísta” e a canção “Até Pensei” falam de impossibilidades e impedimentos que estão além das vontades do eu lírico da música e das crianças do conto. Já Fernando Pessoa nos aconselha: “Cerca de grandes muros quem te sonhas.” No poema “Conselho” é o próprio eu lírico que impede que lhe vejam como é. Diz o Pessoa que somente onde ninguém nos vê, podemos deixar “as ervas naturais medrar”.
E é assim: erguemos muros entre nós e os outros, por egoísmo, por auto-suficiência ou por medo. Ou porque chega um tempo de pensar que não vale a pena nos mostrarmos como realmente somos.
Quando erguemos muros por egoísmo ou por auto-suficiência, somos como o gigante de Oscar Wilde, que não entende porque a primavera não visita o seu jardim. Ficamos nessa inconsciência de não saber que, com o ruído alheio, vem também a floração de nós mesmos. Mas quando nossos muros são erguidos por medo ou desencanto, aí nós já compreendemos o significado dessa floração. Sabemos o motivo pelo qual estamos nos cercando de “grandes muros”. Então, dissociamos ser e aparência. No entanto, se essa dissociação se aprofunda, a aparência vira caricatura. Não é difícil nos defrontarmos com pessoas tão artificiais, tão artificiais, que sequer sua aparência é crível. O ser fica tão dissolvido que essas pessoas acabam por acreditar que só a sua aparência existe. Existe, mas não convence. Sabem a sensação de conversar com uma mentira?
Falei outro dia de partes de nós que para sempre permanecerão secretas para os outros, isso é da nossa natureza, pois algo de nós até para nós permanecerá segredo. Porém, esconder por inteiro é da natureza dos muros, não da nossa. Mesmo que nos protejamos de vez em quando, mesmo que cultivemos a cautela, não pendamos aos radicalismos. Também é preciso deixar que os outros vejam “as flores que vêm do chão crescer”, tão mais reais do que os canteiros cuidadosamente podados.
Seria maravilhoso intuir sempre quais são os outros a quem nos podemos mostrar, quais são os outros que podem chafurdar nos nossos jardins, bosques e ternuras. Mas não é assim. A intuição nem sempre é exata e sem dúvida nos machucaremos de vez em quando pela falta do muro. Mas, e a primavera?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

SIMONAL - DOCUMENTÁRIO


Culpado ou inocente? Fiquei sem resposta.
Hoje já saí da sessão querendo rever o filme (rsrs).
Ele era abusado no talento que tinha pra tudo.
Recomendo!

domingo, 23 de agosto de 2009

Por Telga Lima
Estava aqui pensando na aula de yoga de todas as segundas e quartas cedinho. Ali eu respirava. Encontrava um ar que purificava todos os meus poros. Quando eu estava, desesperadamente, precisando de ar, ali parecia que todas as árvores encantadas, do lugar em que eu me encontrava, todas as segundas e quartas, com aqueles outros desconhecidos, iriam me ajudar a respirar melhor.
É que acabei de abrir a janela do quarto, de onde escrevo agora, e soprou em meu rosto uma brisa azul meio fria e isso me fez lembrar o modo como eu acordava para ir encontrar aquelas pessoas, das quais eu mal sabia os nomes, apenas para poder respirar melhor.

Dali em diante tudo se transformava em um dissonante tempo: Correr para o trabalho, atender o celular enquanto tentava dirigir, pegar o casaco no banco de trás do carro, desacelerar, dar bom dia e ainda assim, aquela sensação inexplicável de bem estar, que ainda perduraria por mais algumas horas, estava ali dentro do meu corpo, mesmo com todas aquelas coisas chatas pra fazer, mesmo já fazendo algumas daquelas coisas todas chatas, ainda assim, havia um jeito bom, uma lembrança agradável de pensar, um riso idiota no canto da boca me dizendo o tempo todo que aquilo era meu, que aquelas coisas eram minhas, que o riso, de certa maneira, era sarcástico. Respirar, respirar, respirar! Eu precisava não mais me deparar com tantas possibilidades que seriam descartadas logo na próxima esquina. Eram tolas as possibilidades, eram todas de araque, eram frouxas, soltas, não havia elo algum. E eu precisava, naquele angustiante instante, eu juro que eu precisava: Acordar cedinho, lavar o rosto, inspirar, pegar mais ar, banhar o meu corpo no mar, me aconchegar. Calcule o meu enfado, o meu cansaço acerca do pouco, das coisas medíocres que soam como um reclame pouco original, publicidade barata, promocional, fácil, corriqueira, daí pego as contas dentro da bolsa, conecto-me novamente, por um minuto, à realidade. Realmente, não tenho talento para tanto, nem muito menos pra tão pouco. O dia foi árduo, as conversas maçantes, os encontros frustrantes.Tomei uma água pra acalmar. Nossa! Faz muito calor e eu passei da conta.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PÉ DIREITO

Caramba! O tempo passa para todos (rsrsrssr). Isso é fato.
Muito feliz aos 37 anos. Sorrindo de orelha a orelha porque só recebi boas energias.
Muitos sonhos se realizaram e faltam outros tantos.
Rodeada de amigo especiais, soprei a velinha no Dolce France.
F E L I Z D E M A I S.







PESSOAS, VEJAM ISSO! DEI BOAS RISADAS.

sábado, 8 de agosto de 2009


Por Telga Lima

Buena Vista.
¿Hay Ocupo?
Toblerone – Chocolate Suíço


Única mordida que veio com sabor de leite, amêndoas da Califórnia, e mel.
Uma sensação muito doce
Uma substância antioxidante, que fez-me rir da minha própria ingenuidade, extravagante e tosca.
Um doce bom pro coração, mas que deve ser consumido com moderação
Irônica e perdida moderação
Mais uma mordida e mais endorfina foi liberada
Vagou pelo meu corpo inteiro e causou-me uma sensação de bem-estar
Uma lista telefônica, uma pista
Um telefonema, amigos, encontros em meio a goles do amargo café italiano
Um filme longo com sotaque que troca o som do “L”, pelo “LH”.
Muitas histórias da fronteira, a Venezuela de Hugo Chaves.
Perdas, amores que ficaram para trás e um recomeço, ainda sem recomeço, sem saber como recomeçar.
Muitos risos
Lembranças do espanhol perdido e um desejos não saciados de viagens
“Samba Bem” – Meu beatchorou
...Eu vou sambar, eu vou voando até Cuba.
Globovisión ameaçada
Radio Caracas Televisión cerrada
Mais risos e um silêncio sem sotaques.
Uma saudade gorda de chocolate calórico, com amêndoas de Boa Vista, mel e leite.
Como se o “toblorone” fosse o meu único paliativo, um pobre paliativo. Mas nunca a minha cura.
Si me preguntan qué opino de tales cosas, digo "no opino nada".





"Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad" (Manu Chao)

E assim vive Yoani Sánchez, com seu blog Generacióny. A filóloga cubana, foi indicada pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo e agraciada com o prêmio Ortega y Gasset na categoria Jornalismo Digital e hoje ela é mundialmente conhecida.
O domínio desdecuba.com, onde é hospedado o seu blog, é bloqueado na maioria dos dos servidores ISP do seu país e mesmo assim, dando voltas no próprio corpo, a blogueira consegue divulgá-lo e mantê-lo atualizado de forma clandestina. Ela não pode ver o próprio blog.
Sandro Vaia, jornalista brasileiro, escreveu "A Ilha Roubada" que relata difícil atuação de blogueira em Cuba.
Yoani e uma cubana que prefere narrar apenas a difícil situação cotidiana de uma comunidade privada de liberdade.
Seu blog conta com algo entre 100 e 150 mil leitores.
Recentemente Yoani escreveu o livro "CUBA LIVRE", disponível apenas em italiano.