sexta-feira, 8 de maio de 2009


O meu coração bate travado ao cair da tarde, fingindo não reparar na cilada em que me meti, no amargo das folhas de rúcula da salada, que cortam o meu céu da boca, o céu azul onde vão passear as estrelas dos meus mistérios, alcançando os meus mais profundos desejos.
Finjo não reparar no gole seco que a garganta dá...Os dedos dos meus pés, os papéis, aqueles mesmos papéis onde escrevo coisas que vão ficar para sempre guardadas, na tentativa de explicar o inexplicável, na tentativa de dizer o indizível. As palavras ficam largadas sobre o criado-mudo e tudo o que eu sinto repousa.
Tento manter a calma enquanto entrego os meus sentimentos no papel. Finjo e vou fingindo.
Enquanto ponho a mesa, uma folia de gritos histéricos invadem os meus pensamentos.
Finjo não reparar que estou acesa, ávida, viva.
Tento me desvencilhar do inferno dos desejos vãos, desejos que me deixa presa numa bolha.
Não tenho alternativa, não enquanto ainda hesitar em não prestar atenção.
Como são gostosas todas aquelas coisas esquisitas, raras, deliciosas e impraticáveis que faço, com gosto de medo e de solidão.
Gosto de vida e de morte, de presença, de fuga.
Não, não há uma explicação palpável, algo que eu possa ponderar, por que sou presa fácil.
Se alguém me sorrir consegue arrancar um sorriso delirante do canto da minha boca.
Não acredite, não é apenas por conta da chuva, nem porque tento me justificar, nem muito menos pelas minhas atitudes esquizofrênicas, que me dizem o tempo todo que quero continuar indo adiante.

LENINE


Para ir curtindo até o show começar, no dia 22 de maio, no Boulevard.

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quinta-feira, 7 de maio de 2009




DELINEADOR.
Ploc, ploc, ploc, meus saltos gritam pelo assoalho da mal iluminada sala de estar. Agacho-me em frente ao espelho, que por desleixo, ou por um descuido proposital, ainda está meio desajeitado encostado à parede da sala.
Tento, sem muito sucesso, fazer um traço perfeito e os meus olhos começam a delinear-se de um preto fúnebre.
Com uma das mãos estico uma das pálpebras tentando me equilibrar de uma forma meio ridícula, buscando iluminar de preto, minha pele parda, pele amanhecida de uma cara lavada e finalmente o irritante fio preto se instala sobre os meus olhos e acredito que esse simples gesto, vai me fazer enxergar algo diferente quando a porta da casa se abrir e os meus saltos alçarem as frágeis esperanças que me aguardam lá fora.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Salve Jorge!


Jorge sentou praçana cavalaria eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia.

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Para que meus inimigos tenham maõs e não me toquem

Para que meus inimigostenham pés e não me alcacem

Para que meus inimigostenham olhos e não me vejam

E nem mesmo o pensamentoeles possam ter para me fazeram mal

Armas de fogo meu corpo não alcançarão

Facas e espadas se quebremsem o meu corpo tocar

Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar

pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Faxina já!
Gente, faxina sim e por que não?
Para quem não teve a sorte de juntar o final de semana com o feriado do dia 21 de abril, curta sua casa.
A primeira providência é alugar aquele filme que você estava se programando para ver fazia algum tempo e nunca dava.
Que tal acordar mais cedo, molhar seus lindos e casados pés na água do mar e voltar com a vib renovada?
Buscar essa força é muito importante para quem deseja reorganizar as coisas em casa, acho fundamental.
Costumo dizer aos meus amigos que ao abrir a porta do meu apartamento, sinto como se estivesse entrando em um santuário, um templo ou algo parecido. Sinto paz, aconchego, sinto-me livre. E quando aquilo lá está uma bagunça, meus pensamentos ficam desordenados, que só vendo. A hora é essa e é isso que vou fazer amanhã, pôr meus livros em ordem, as roupas, e tudo mais, ouvindo Zeca Baleiro. Êh disposição.
Bom feriado pra todo mundo.

terça-feira, 24 de março de 2009


Por Telga Lima

Os meus óculos caíram sobre o tapete da sala quando comecei a ler o texto abaixo, de Veríssimo, enviado por Tácito, querido. Piada, não uso óculos, há algum tempo o oftalmologista me liberou de seu uso, de modo que me sinto menos charmosa sem eles.
Delicadamente ele, Tácito, deixou impregnado pelos cantos da casa, um aroma de melancolia, inundando-me com algumas recordações felizes, e outras nem tanto, enquanto eu lia"A Felicidade pode demorar". Texto bom pra refletir, pra sonhar, pra avaliar passos desmedidos, descarrilados, que damos ao longo dos caminhos, tortuosos ou não, que escolhemos. E esse primeiro trecho, me fez sinceramente, ficar sensibilizada. Fui até a sala e deixei os chinelos perto da varanda, deitei no tapete e adormeci.

A FELICIDADE PODE DEMORAR
Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.

Às vezes nos falta esperança. Às vezes o amor nos machuca profundamente,e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.

Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar...é nossa razão de existir.

Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino.

Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.

Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto. É a força da natureza nos chamando para a vida.

Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade.

Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.

Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram...

Descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez.

E agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-las a reconstruir um coração quebrado.

Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatores importantes: a relação com a família, as condições econômicas nas quais se desenvolveu. (dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter), os relacionamentos anteriores e as razões do rompimento, seus sonhos, ideais e objetivos.


Não deixe de acreditar no amor. Mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá.

Manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam. E certifique-se de que quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra.

Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa te deixar, então nada irá lhe restar.

Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco.

Pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso, do que teria sido no passado.

Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário.

Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.

A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.

A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem...

Luiz Fernando Veríssimo
Tenho fases, como a lua. Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia eu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...