quinta-feira, 16 de julho de 2009

BÁRBARO


Eu sou fã de renda irlandesa, croche, bordado e frivolitê. Tenho toalhas com ponto de frivolitê que foram feitas pela minha mãe.
Para quem curte acessórios lúdicos, a Sotackes, tem uma infinidade de coisas delicadas como essas bolsas. Você pode adquirir qualquer peça pelo site e ficar linda para o verão.


Acabei de chegar da livraria Siciliano.
Estava no lançamento do segundo livro do meu amigo Patrício Jr. “A cega natureza do amor”. O livro traz contos tristes, alegres, analíticos, terrivelmente reais e uns tantos outros que são pura fantasia, como define o próprio autor.
Olhem só eu aí toda orgulhosa na foto mostrando o livro que dentro de alguns minutos estará na minha cabeça.
Gente como a peste e muitas surpresas:
Um casal à porta da livraria representava a imagem da capa do livro, assim mesmo como na foto. Logo de cara, esta cena abriu à porta da imaginação de quem adentrava o recinto(rs). "Adentrar", palavra ótima essa. Mas gostei de cara. Muito louco.
Lá, no auditório da livraria, havia uma tenda preta e dentro estava totalmente escuro. Antes de matar a curiosidade os visitantes pegavam uma lanterna e seguiam para desvendar o mistério. Lanterna acesa e, tcham, tcham, tcham, tcham: Fotos enormes do ensaio que foram feitas para ilustrar o livro.
Acho que fui a primeira a chegar à livraria, no entrando não tardou para que publicitários e jornalistas tomassem conta da área (rsrsrrsr).
Um sucesso.
Boa noite. Vou lá ler meu livro.

sábado, 20 de junho de 2009


Por Telga Lima
Começo, meio e fim.

São 13hs51 de um domingo ensolarado de doer.
Um dia normal, um domingo como o domingo passado, como a maioria dos domingos. A TV está ligada sem áudio e o MSN está programado no status "ausente", o que me possibilita deixá-lo em stand by a fim de que eu possa ir para a cama, arrumar os travesseiros e tentar me lançar em uma leitura que me faça pegar no sono e sentir que o dia está mais tranquilo. Daqui a algumas horas será segunda-feira.
Antes que os minutos deste dia, 14 de junho, acabem; antes que esse começo culmine em um fim inevitável e a segunda-feira bata à minha porta, refleti sobre algumas coisas da vida.
Não existe desamor, penas um começo, um meio e um fim.
Deste então, é verdade, não parei de analisar os começos, os meios e os fins.
Os fins, para mim, sempre terminam quando ainda existem um sabor de começo e acredito sim, acredito, sinceramente, que este sabor de começo me faz pensar que o fins estarão sempre distantes.
Acabei voltando para o computador ávida por encontrar Virgínia, minha amiga de todas as horas, para dizer-lhe que estava lendo novamente o livro "Para Francisco", de Cris Guerra, e que mais uma vez me engasguei e chorei compulsivamente, enquanto o lia. Estava angustiada e precisava falar com alguém, com ela em especial, que é tão sensível e inteligente.
Ela estava lá, pesquisando outras culturas e se estarrecendo com suas diferenças. Por sorte, naquele instante, eu a encontrei e foi como se tivesse pego um bote salva vidas; isso me fez cessar os soluços. Lentamente tudo foi voltando ao normal; minha percepção do real e o meu rosto que estava ainda rubro e levemente inchado.

domingo, 7 de junho de 2009

Por Telga Lima

Joss Stone canta sua voz só pra mim, neste meu dia pesado.
É hora do almoço e a fome não bate à porta das minhas necessidades.
Alguém pode me ouvir?
Não! Fico então com a poesia de  Pablo Neruda.

“Talvez bem tarde nossos sonos se uniram na altura e no fundo, em cima como ramos que um mesmo vento move, em baixo como raízes vermelhas que se tocam. Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro me procurava como antes, quando nem existias, quando sem te enxergar naveguei a teu lado e teus olhos buscavam o que agora - pão, vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos, porque tu és a taça que só esperava os dons da minha vida”. ( Trecho do poema "A noite na Ilha", de Pablo Neruda)
Por Milly Lacombe

Na sua ausência, me perco na liberdade que só a solidão pode oferecer. Dona de meus próprios domínios, sem você, deixo nascer a tirana que habita em mim.
Você acaba de me dar um beijo e sair. É domingo e faz frio lá fora. Dia ideal para ser perdido entre chamegos, afagos, mimos, xícaras de café e, maistarde, taças de vinho. Mas não esse. Você precisa sair e vai demorar para voltar. E tá tudo bem porque, com você longe de mim, posso me entregar à leitura do jornal sem ser interrompida para responder se lembrei de pagar a conta de luz na sexta ou se pretendo ir à Cobasi comprar a ração dos cachorros – essa, mais uma imposição do que uma pergunta. Embora não pretenda ir, digo que vou para poder voltar ao jornalmais rapidamente. Tá tudo bem, porque é com você longe de mim que posso fazer um pouco mais de café sem ter que obedecer ao comando de desviar para ir apagar a luz do quarto que, tenho certeza, quem acendeu foi você e não eu. E posso, quando bem entender, ligar a TV e deixar o volume alto, mesmo que eu decida continuar na sala lendo o jornal: você não está por perto para fazer bico, para pedir que eu levante e abaixe o som ou, em casos extremos, para que eu simplesmente desligue o aparelho. Posso inclusive escolher deixar a TV desligada, por minha própria vontade, mas ligar o rádio para saber mais a respeito dos jogos da tarde; sem você por perto, não tem ninguém para reclamar de minhas manias.
Ditadura
Aliás, com você longe de mim, posso gritar para que as cachorras, esses dois quadrúpedes hiperativos que moram aqui, nem pensem em se aproximar do meu café ou do meu jornal porque agora sou eu quem controla essa área, sou dona exclusiva de meus domínios. Com você longe de mim, nasce a ditadura, morre a democracia e revela-se a tirana que habita em mim. Pelo menos sob o ponto de vista canino; ao meu comando autoritário, as duas cadelas imediatamente emitem um som de súplica e saem à sua procura, em busca de proteção; elas sabem que o papel do “policial ruim” é meu. Mas, naturalmente, voltam com o rabo entre as pernas porque, finalmente, perceberam o que eu já sei há quase uma hora: que você não está. Então, derrotadas, simplesmente deitam à espera do seu retorno. E nem dão bola para meu estado de espírito. Porque é quando você não está que posso deixar o cabelo preso como bem entender: você gosta dele solto, para poder mexer, bagunçar, despentear. Você tem essa mania de ficar com a mão no meu cabelo. Então, a primeira coisa que faço quando o portão da garagem se fecha é pegar o elástico e prender bem forte, quase uma provocação. Mas aí lembro que é uma provocação vã, porque você não está. Só que também lembro que, com você longe de mim, posso colocar aquela playlist que já tá gasta e que você não agüenta mais. E posso ficar deitada, olhando o teto e pensando na vida, sem ter que ir ver se a água quente já voltou. Com você longe de mim posso navegar pela internet à vontade, sem ter que, bem na hora que finalmente encontro a informação que procurava, contar como foi a visita que fiz à minha irmã, como estavam as crianças, como foi a festa ontem.
Cachorros no sofá
Com você longe de mim me perco nessa liberdade que só a solidão é capaz de oferecer. E então aumento o som, pego um livro e, sem que você veja, autorizo as cachorras a subirem no sofá, atitude que deixaria você muito feliz, porque você ama ter as duas por perto, ama ver o sofá cheio de pêlos, ama me ouvir mandar elas descerem. Mas você não está e eu, quando você não está, deixo as duas subirem. É uma provocação, mais uma. Porque quando você não está não existe o risco de ser parada no meio da sala, enquanto estou indo colocar mais café na xícara, com aquele abraço apertado e demorado, sempre cheio de más intenções. Quando você não está, não existe a possibilidade de ser tirada de meu cochilo com um beijo molhado na boca. Também não tem quem, sem aviso prévio, pegue meu pé para fazer massagem, ou quem me ofereça torrada com queijo e geléia no meio da manhã, me pergunte sobre o que estou lendo e queira ouvir a explicação, mesmo que seja sobre o assunto mais chato do mundo. Sem você por perto, não tem quem se interesse por minhas histórias cotidianas, quem ria de minhas piadas tolas, quem converse com as cachorras como se elas fossem crianças de 5 anos só para meu entretenimento. Quando você não está não tenho com quem comentar um trecho do livro a respeito do Almodóvar que li ontem, não tenho por que fazer um pouco mais de café ou para quem ir buscar um Yakult na geladeira. Quando você não está, falta um pouco de mim, falta toda a graça, falta metade da vida: quando você não está, parte de mim também vai embora. Então, quando ouço o portão da garagem abrir e vejo as cachorras correrem em euforia para recebê-la, sei que tudo está prestes a mudar. É quando você volta que sou mais feliz e posso, finalmente, soltar o cabelo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Amar, verbo em transição.


Por Telga Lima

Inevitável. Não há mais como voltar no tempo e pintar todas as telas com a monocromática cor de rosa. Resgatando a canção de Rita Lee que diz, é cor de rosa choque, a cada dia estou mais convicta que o universo feminino ampliou a sua cartela de cores. Nada mais é básico, nem o que nos veste, nem o que nos despe. Estamos reinventando, o modo, o tempo, a maneira, a forma, o contexto. Armadas com nossos soutiens ou deixando-os queimar em uma fogueira, a proposta continua sendo "liberdade", de individualidade, de experimentos, de vida sem padrão. Estamos saindo da embalagem, "sartando fora", para conseguirmos uma vida sem culpa e sem tantas frustrações. Nestas comemorações que antecedem o dia dos namorados é importante que se faça uma reflexão, sobre a vida a dois e a vida a um, de modo que o importante é estarmos sentados confortavelmente na poltrona dos nossos desejos reais, sem fantasias e felizes.


Vejam o que dizem os especialista nesta matéria da revista Bons Fluidos, deste mês.
Amar, verbo em transição.
Mudanças à vista
Vivemos uma fase de transição. Ainda estamos apegados ao ideal romântico e, ao mesmo tempo, desejamos construir uma relação a dois mais autêntica, com mais liberdade e menos requisições. Isso só poderia resultar em confusão e contradição.
A psicanalista e sexóloga carioca Regina Navarro Lins acredita que os encontros e desencontros amorosos protagonizados por muitos de nós criam um vácuo, amedrontador, sim, mas potencialmente benéfico, se o enxergarmos como um espaço criativo de onde podem surgir – e, segundo ela, isso já está acontecendo – mudanças significativas na nossa forma de encarar os relacionamentos.
Segundo Regina, o amor romântico começa a dar sinais de que está saindo de cena, levando com ele o ultimato de exclusividade, desde sempre, seu pilar de sustentação. “Estamos descobrindo como é fundamental voltarmos para nós mesmos a fim de desenvolvermos nosso mundo interno. Acontece que a lógica do amor romântico, apoiada em expectativas, idealizações e dependência, é contrária aos novos anseios individuais”, avalia Regina.
No seio desse jogo de forças opostas – parceria x individualidade, fragilidade x autonomia –, o amor está sendo remodelado. Cada vez mais pessoas acreditam que o poeta Vinicius de Moraes está desatualizado e garantem que é possível, sim, ser feliz sozinho e desfrutar de uma vida plena, recheada de interesses e projetos de todas as ordens. A parceria amorosa não precisa ser excluída desse pacote. Muito pelo contrário. Ela só tem de ser reconfigurada, entrar como algo mais. Tarefa que exige a fabricação de uma roupagem mais realista, o que não significa dizer, é bom ressaltar, menos envolvente e satisfatória.
Se antes as volúpias da paixão ditavam as regras entre os enamorados, hoje, a sede de autoconhecimento e crescimento pessoal está falando mais alto e, consequentemente, mudando a maneira de nos relacionarmos. Segundo Gikovate, essa força curiosa e libertária mais cedo ou mais tarde faz apitar o sinal de reabastecimento de nossos compartimentos individuais. Nesse momento, lembramos que é hora de nos afastarmos um pouco dos projetos a dois em favor de nossos próprios interesses.
Cada vez mais as pessoas estão percebendo a importância desse movimento rumo à individualidade, apontam as pesquisas. Ficar sozinho também já não é mais motivo de vergonha. O preconceito não está mais localizado na sociedade, que outrora estigmatizava o estar só como sinônimo de fracasso. Já dentro de nós as cobranças teimam em nos atormentar. “O problema são as nossas crenças, coisas que vieram de fora, sobretudo das gerações anteriores, e estão enraizadas no nosso modo de pensar”, analisa Gikovate. Como exemplo, ele cita a crença, ainda viva em muitas mulheres, de que é menos constrangedor ser divorciada, pois, pelo menos, o casamento existiu um dia, do que solteira – para elas, um atestado de rejeição. Ou, se preferir, um pesadelo.
Apesar da persistência entre nós de pensamentos como esse, o cenário nunca foi tão propício à individuação. A parceria amorosa, nesse novo contexto, passa a ser um acidente de percurso, muito bem-vindo por sinal, e não mais um bote salva-vidas, o único remédio para a dor do abandono que nos acompanha desde o nascimento. Não se esqueça de que um dia fomos expulsos do útero materno, o protótipo do paraíso, onde nossas necessidades vitais eram atendidas sem o menor esforço. Para o psiquiatra, pessoas bem resolvidas com as dores e os prazeres da vida têm, pelo menos, três caminhos a seguir: descobrem as delícias da solidão e se mantêm sozinhas, mas nunca solitárias, ou alternam fases em que estão bem acompanhadas e outras em que voltam a ser solteiras sem drama, apenas porque as relações que viviam não ofereciam mais possibilidades de evolução. A terceira situação ainda é a mais almejada – uma parceria duradoura e serena, um tipo mais evoluído de relacionamento que o psiquiatra batizou de + amor. “O + amor aproxima-se da amizade no que se refere à solidez, à confiança, ao respeito aos direitos do outro, à preservação das liberdades e dos desejos individuais. A outra face se aproxima da paixão, pois a intensidade da intimidade é máxima.” Algo como “um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”, para citar um belo verso de Cazuza.

“Temos de nos livrar da crença, presente e potente em nossa cultura, de que o amor romântico é o caminho que abre todas as portas da felicidade”
Flávio Gikovate, psiquiatra

“Daqui a algum tempo, é difícil precisar se em dez, 20 ou 30 anos, menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois”
Regina Navarro Lins, sexóloga.
Leiam na íntegra: Bons Fluidos

sexta-feira, 8 de maio de 2009


O meu coração bate travado ao cair da tarde, fingindo não reparar na cilada em que me meti, no amargo das folhas de rúcula da salada, que cortam o meu céu da boca, o céu azul onde vão passear as estrelas dos meus mistérios, alcançando os meus mais profundos desejos.
Finjo não reparar no gole seco que a garganta dá...Os dedos dos meus pés, os papéis, aqueles mesmos papéis onde escrevo coisas que vão ficar para sempre guardadas, na tentativa de explicar o inexplicável, na tentativa de dizer o indizível. As palavras ficam largadas sobre o criado-mudo e tudo o que eu sinto repousa.
Tento manter a calma enquanto entrego os meus sentimentos no papel. Finjo e vou fingindo.
Enquanto ponho a mesa, uma folia de gritos histéricos invadem os meus pensamentos.
Finjo não reparar que estou acesa, ávida, viva.
Tento me desvencilhar do inferno dos desejos vãos, desejos que me deixa presa numa bolha.
Não tenho alternativa, não enquanto ainda hesitar em não prestar atenção.
Como são gostosas todas aquelas coisas esquisitas, raras, deliciosas e impraticáveis que faço, com gosto de medo e de solidão.
Gosto de vida e de morte, de presença, de fuga.
Não, não há uma explicação palpável, algo que eu possa ponderar, por que sou presa fácil.
Se alguém me sorrir consegue arrancar um sorriso delirante do canto da minha boca.
Não acredite, não é apenas por conta da chuva, nem porque tento me justificar, nem muito menos pelas minhas atitudes esquizofrênicas, que me dizem o tempo todo que quero continuar indo adiante.